quinta-feira, 13 de janeiro de 2011

"MALANGATANA JÁ ESTÁ EM CASA"

"Malangatana já está em casa . 13/01/2011. Os restos mortais do mestre Malangatana Valente Ngwenha já se encontram em Matalana, distrito de Marracuene, província meridional de Maputo, onde serão sepultados em um funeral de Estado que se realiza sexta-feira com a presença do Presidente moçambicano, Armando Guebuza. A urna de Malangatana devia, em princípio, ter sido levada a sua terra natal ainda na tarde de quarta-feira, mas a demora do velório no Paços do Município de Maputo que durou pouco mais de seis horas e terminou no fim da tarde ditou que o cortejo fosse feito hoje (13), porquanto chegar-se-ia de noite.
Todavia, o decano das artistas plásticas chegou na manhã de hoje (quinta-feira) ao seu berço e os residentes, amigos idos da cidade, membros do governo, diplomatas entre outras individualidades escalaram o povoado de Matalana, para testemunhar o regresso do filho pródigo à casa embora já sem vida. A manhã e a tarde estiveram dedicadas especialmente as manifestações culturais, dado que, em vida, o mestre Malangatana dedicou toda a sua saúde e saber ao florescimento da cultura moçambicana ao pintar belíssimas obras pictóricas revestidas de mensagens de profundo simbolismo humano. Assim, conceituados artistas do panorama musical moçambicano apresentaram temas que Malangatana tanto gostava de ouvir. Os irmãos Pacha e Elvira Viegas, esta última no vocal, interpretaram a bem badalada composição 'Rula', que fez bastante sucesso mesmo na maior parada musical 'Ngoma'.  O poder vocal e a solenidade da mensagem veiculada pelo tema deixou a viúva Gelita Ngwenha a chorar copiosa e convulsivamente porque, apesar do consolo, ela está ciente que Malangatana partiu e deixou um vazio que apenas o tempo vai preencher.
A outra referência musical moçambicana que deixou o ar da sua graça foi José Mucavel. Antes de cantar o clássico tema “Atravessando Rios”, retirado do álbum do mesmo nome, contou um historial que liga o mestre ao sucesso do álbum. Mucavele disse ter privado com o mestre aquando da sua visita a Portugal em 1984 antes do lançamento do disco. Na ocasião, Mucavele pediu a Malangatana para que fizesse a capa do seu disco, solicitação que foi prontamente aceite, e lançado o álbum em 1987. Na homenagem ao mestre, Mucavele interpretou dois clássicos do álbum que deixaram a viúva de novo em lágrimas, porque a mensagem replanta uma esperança beliscada pela morte do mestre. Aliás, hoje ela vê o caixão onde jaz o seu marido, mas, sexta-feira, a imagem guardada na retina será bem diferente e mais angustiante. Ainda na tarde de hoje, o padre José Maria, da Casa do Gaiato, celebrou uma missa em memória do mestre. Na liturgia da palavra, o evangelho do sacerdote deu realce, através de uma leitura tirada do Velho Testamento da Bíblia, a dimensão humana do pintor-mor do país. No final da celebração litúrgica, seguiram-se as manifestações musicais em homenagem ao mestre e a voz sonante do músico Xidiminguana também trouxe uma manta de conforto a família enlutada. Mário Mutchine, filho mais velho do artista plástico, disse que a tarde e a noite de hoje estarão única e exclusivamente dedicadas as manifestações artísticas, esperando-se pelo funeral de estado.Aliás, para o efeito, as Forças Armadas de Defesa de Moçambique (FADM) já posicionavam na tarde de hoje os canhões que serão usados nas 19 salvas, a medida que o corpo for descendo ao sepulcro.Malangatana, ícone da pintura moçambicana, nasceu a 6 de Junho de 1936, na localidade de Matalana, distrito de Marracuene, cerca de 40 quilometros da capital moçambicana.
(RM/AIM)" Fonte Rádio Moçambique.

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