quarta-feira, 10 de fevereiro de 2016

AFRICAN EXPORT IMPORT BANK AFREXIMBANK REUNIU HOJE EM MAPUTO, MOÇAMBIQUE BENEFICIOU DE 90 MILHÕES DE USD

CONCEDIDOS 90 MILHÕES USD DO AFREXIMBANK A MOÇAMBIQUE

10-02-2016 16:03:40

Maputo, 10 Fev (AIM) – Moçambique beneficiou, até ao momento, de cerca de 90 milhões de dólares americanos concedidos pelo African Export-Import Bank (AFREXIMBANK), que foram atribuídos a quatro instituições para o exercício das suas actividades no ramo económico.

Apesar de ser membro fundador do AFREXIMBANK, instituição financeira pan-africana criada em 1993, que conta actualmente com 125 membros, dentre países e instituições, o benefício dos seus fundos para Moçambique é considerado ainda “tímido”.

A administradora do Banco de Moçambique (BM), Joana Matsombe, que falava hoje na sessão de abertura do Fórum Empresarial do AFREXIMBANK, em Maputo, disse que 35 milhões desse montante estão ainda em processamento.

O fórum, que decorre sob o lema “Promoção do Desenvolvimento Económico e Diversificação através do Comércio”, tem por objectivo divulgar junto de ministérios, sistema financeiro, sector privado, Confederação das Associações Económicas (CTA), entre outros actores, os principais produtos financeiros disponíveis na instituição.

“Exorto as empresas e instituições aqui presentes a aproveitarem esta oportunidade para estabelecer parcerias frutíferas e estáveis que possam culminar num aumento dos níveis de financiamento dos seus projectos, do comércio e das exportações, em geral, o que se traduzirá num valor acrescentado para todo o país”, disse Matsombe.

Segundo a administradora, o AFREXIMBANK assegura a provisão dos seus fundos através de bancos locais, linhas de crédito para o sector real, ou por via de empréstimos directos aos bancos, o que constitui uma das formas mais eficazes de fazer chegar os financiamentos aos interessados.

A este respeito, a fonte disse que o sector bancário moçambicano é sólido e estável, contando actualmente com um rácio de solvabilidade de cerca de 15 por cento, muito acima do mínimo estabelecido pelos critérios de Basileia II; o rácio do crédito vencido, apesar de ter registado um ligeiro incremento nos últimos anos, mantém-se abaixo dos 4,5 por cento.

Matsombe disse, por outro lado, que o fraco recurso do país a esta fonte contrasta com a postura de outros países, incluindo africanos, que têm estado a beneficiar, em larga medida, dos financiamentos do AFREXIMBANK para diversos fins, desde a compra de aeronaves até ao desenvolvimento da indústria hoteleira.

A administradora apontou, a título de exemplo, que o Zimbabwe beneficiou no ano transacto 200 milhões de dólares para o apoio ao seu sector financeiro. O Gabão obteve 300 milhões às plantações de palmeiras para extracção de óleo e infra-estruturas; e a Zâmbia de 50 milhões para a construção de armazéns e equipamentos para fertilizantes.

Desta feita, o Banco Central de Moçambique reiterou o compromisso de apoiar no que for necessário para a concretização dos objectivos de promoção das micro, pequenas e médias empresas no país, grupo-alvo cuja expectativa é ver a beneficiar da troca de conhecimentos que o AFREXIMBANK está a proporcionar.

Hoje, primeiro dia do encontro de dois dias será dedicado a apresentação dos produtos e linhas de financiamento disponíveis e no segundo a realização de encontros bilaterais com os participantes visando discutir os detalhes sobre oportunidades de financiamento.
(AIM)
LE/SG (AIM) " FONTE: SAPO MZ E AIM

PAZ E DESENVOLVIMENTO EM MOÇAMBIQUE: "GOVERNO VAI ENVIDAR ESFORÇOS PARA UM DIÁLOGO COM A RENAMO SOBRE A PAZ E DESENVOLVIMENTO" AFIRMOU O PRESIDENTE DA REPÚBLICA DE MOÇAMBIQUE FILIPE NYUSI


Governo vai envidar esforços para um diálogo com a RENAMO sobre a Paz e Desenvolvimento-PR

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O Presidente da República e Comandante-em-Chefe das Forças Armadas de Defesa de Moçambique, Filipe Nyusi, disse esta terça-feira, que o governo vai envidar esforços para um diálogo com a RENAMO sobre a paz e desenvolvimento do país.

Filipe Nyusi, falava, esta terça-feira em Maputo, momentos após a saudação pelas FADM, por ocasião do seu quinquagésimo sétimo aniversário natalício.
 “Eu juntamente convosco tudo faremos para que o povo moçambicano saiba que há quem faz esforço para que a paz e tranquilidade exista no país. Estamos a estabelecer contactos para que a RENAMO compreenda que sem armas nós podemos desenvolver este país, poderemos consolidar a democracia deste país. Iremos fazer esforços para que 2016 o líder da RENAMO possa estar junto de nós e desenvolver a sua actividade política como acontece com outros partidos ….. para interagirmos e termos espaço para discutirmos que é o desenvolvimento deste país.  Quero vos felicitar neste meu dia pelo trabalho que têm feito e usar esta oportunidades para poder vos convidar a trabalharmos juntos, nesse processo de tranquilidade para os moçambicanos. “ referiu o Chefe do Estado, e Comandante-em-Chefe das Forças Armadas de Defesa de Moçambique, Filipe Nyusi.
Ainda hoje, Filipe Nyusi falando na qualidade de Presidente do partido FRELIMO, disse que esta formação política, tudo fará para assegurar a paz e tranquilidade dos moçambicanos.
 Nyusi comprometeu-se também a dedicar-se no melhoramento contínuo das condições de vida dos moçambicanos, através da providência e serviços sociais básicos. (RM)"
FONTE: RÁDIO MOÇAMBIQUE

terça-feira, 9 de fevereiro de 2016

ANTÓNIO PINTO DE ABREU NOVO PACA DA LAM LINHAS AÉREAS DE MOÇAMBIQUE, PARABÉNS!

Pinto de Abreu é novo PCA da LAM
No país
António Pinto de Abreu assume a LAM por decisão da Assem­bleia Geral, reunida nesta segun­da-feira. De Abreu, que cessou funções como vice-governador do Banco de Moçambique há cerca de duas semanas, substitui Silvestre Sechene, que esteve à frente da companhia de bandei­ra desde Junho de 2014.
Além da indicação de António Pinto de Abreu para Presidente do Conselho de Administração da LAM, a reestruturação desta segunda-feira apontou outros nomes para cargos directivos da empresa. Assim, o cargo de administrador delegado, equiva­lente a Presidente do Conselho Executivo, passa a ser exercido por António Pinto. Para Admi­nistradores Executivos foram indicados Hélder Fumo, Carlos Vasco Sitoe e Faizal Abdulgafar; sendo Administradores Não­-Executivos Renato Matusse e Paulo Negrão.
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FONTE: JORNAL O PAIS DE MOÇAMBIQUE.

UE UNIÃO EUROPEIA APOIA MOÇAMBIQUE AINDA ESTE SEMESTRE VAI DESEMBOLSAR 100 MILHÕES DE DÓLARES DOS 200 MILHÕES CONCEDIDOS

União Europeia garante 100 milhões de dólares este semestre para Orçamento
Ajuda externa
A União Europeia (UE), através da sua delega­ção em Moçambique, anunciou que metade dos 200 milhões de dólares que preten­de desembolsar para financiar o Orçamento do Estado (OE) será entregue no final do presente se­mestre.
De acordo com o representan­te da UE em Moçambique, Sven Kuhn von Burgsdorff, falando numa conferência de imprensa, em Maputo, a celeridade no de­sembolso tem como principal ob­jectivo garantir a sustentabilidade do OE ao longo dos próximos quatro anos, bem como agilizar a implementação do Plano Quin­quenal do Governo (PQG) para 2015-2019.
“A primeira metade deste valor de 200 milhões de dólares em apoio ao Orçamento do Estado será entregue em meados de Ju­nho próximo e, dentre vários objectivos, deverá ajudar na sus­tentabilidade do país, tendo em conta que atravessa um momento em que as calamidades naturais não ajudam o seu desenvolvimen­to linear”, explicou Sven Kuhn von Burgsdorff.
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FONTE: JORNAL O PAIIS DE MOÇAMBIQUE.   

GOVERNO BRITÂNICO AUMENTA O SEU APOIO A MOÇAMBIQUE QUE PASSA PARA 11 MILHÕES DE LIBRAS NOS PRÓXIMOS DOIS ANOS

EL NINO” / REINO UNIDO VAI DESEMBOLSAR 11 MILHÕES DE LIBRAS NOS PRÓXIMOS DOIS ANOS

08-02-2016 18:39:09

Maputo, 08 Fev (AIM) – O governo britânico anunciou hoje o aumento de 10 para 11 milhões de libras o apoio concedido a Moçambique, nos próximos dois anos, para ajudar a mitigar o impacto do fenómeno “El Nino”.

O Reino Unido tem estado a apoiar o país desde 2012, tendo já concedido acima de 50 milhões de libras.

Esta informação foi tornada pública pelo ministro britânico do Departamento para o Desenvolvimento Internacional (DFID, sigla em inglês), Nick Hurd, que falava em Maputo, no término da visita aos Armazéns da COSACA (consórcio de agencias de assistência humanitária), no âmbito da resposta ao Fenómeno “El Nino”.

“Estou impressionado com o que vi, em termos dos esforços que estão sendo feitos para garantir que as comunidades, tanto do sul como do centro, sejam abarcadas pela assistência. Venho aqui para, mais uma vez, reafirmar o compromisso do povo britânico em relação ao apoio ao povo moçambicano, neste momento difícil”, disse Hurd, que iniciou hoje uma visita de dois dias a Moçambique, para avaliar o impacto dos efeitos do fenómeno “El Nino” no país.

Referiu que o apoio britânico vai incidir principalmente nas áreas como acesso a água potável e saneamento, contrariamente aos anos anteriores quando o apoio abarcava as mais diversas áreas. Justificou que estas são as áreas que o povo britânico considera essenciais.

Por sua vez, o director-geral do Instituto Nacional de Gestão de Calamidades (INGC), Osvaldo Machatine, referiu que a visita revela o reconhecimento de trabalho que a sua instituição tem vindo a desenvolver para minimizar o impacto do fenómeno “El Nino”.

Disse que este apoio consiste em assistir as pessoas que estão a atravessar momentos muito difíceis, decorrentes destes desastres naturais, mais particularmente a seca.

“Portanto, o apoio pode ser feito via directa pelo INGC ou através de ONG’s (Organizações NÃO-Governamentais) elegíveis para a prossecução destas actividades. Neste caso concreto, estamos a falar de um apoio que o governo do Reino Unido prestou ao povo moçambicano, através de um consórcio de ONG’s”, afirmou.

Explicou que o INGC, como instituição do governo, está a monitorar todo o trabalho que o COSACA vem desenvolvendo.

O INGC tambem tem um papel importante na identificação das reais necessidades e dos locais em que, de facto, este apoio deve ser prestado.

“Já podemos assistir, nas províncias meridionais de Gaza e Inhambane, às populações que estão a se beneficiar directamente deste apoio”, frisou Machatine.
(AIM)
Anacleto Mercedes (ALM)/sg

(AIM) "
FONTE: SAPO MZ/AIM

domingo, 7 de fevereiro de 2016

SÓ QUE NÃO O FAZEMOS E ACABAMOS SENDO DEPENDENTES DE IMPORTAÇÕES, ESPECIFICAMENTE DA ÁFRICA DO SUL. MOÇAMBIQUE POSSUI BOM CLIMA, ÁGUA E UM SOLO QUE É RELATIVAMENTE JOVEM." AFIRMA NANCY TAERA, MOÇAMBICANA QUE GANHOU A MEDALHA DE MELHOR ESTUDANTE DE AGRONOMIA NO BRASIL. MINHA MÃE NATÉRCIA HOJE COM 93 ANOS DE IDADE ASSINARIA POR BAIXO, VIVEU EM TETE CIDADE MAIS DE 25 ANOS, DESDE 1955, NA ENTÃO LOURENÇO MARQUES HOJE MAPUTO, A SOCIEDADE COLONIAL DISSE-LHE QUE EM TETE NADA HAVIA E NADA SE DAVA EM TERMOS DE HORTICOLAS E FRUTEIRAS, FOI A MELHOR FONTE DE RENDIMENTO QUE OS MEUS PAIS NUM QUINTAL TIVERAM. AFINAL QUAL ERA O SEGREDO???ERA PRECISO TRABALHAR DURO O RESULTADO VIRIA A SEGUIR.AO DOMINGO EU ERA "A VITIMA" HOJE COM MUITO ORGULHO, TINHA DE SER EU A REGAR COM A MANGUEIRA DE MANHA CEDO E AO FIM DO DIA AS FRUTEIRAS E O RESTO COM A MANGUEIRA, POIS OS NOSSOS EMPREGADOS AO DOMINGO NÃO TRABALHAVAM, BOA ESCOLA DE VIDA, OBRIGADO PAIS!"

“Temos toda a condição, pelo menos na maior parte do país, de produzir ano inteiro, só que não o fazemos e acabamos sendo dependentes de importações, especificamente da África do Sul. Moçambique possui bom clima, água e um solo que é relativamente jovem”. Esta é a visão da moçambicana Nancy Taera que já ganhou a medalha de melhor estudante de Agronomia no Brasil.
O Brasil é um dos maiores produtores agrários e pecuários do planeta. Produz e exporta para todos os quadrantes e é nesta grande escola que Nancy Taera fez a sua formação superior completa. Licenciatura, mestrado e doutorado. “Lá tem de tudo. Excelentes qualidades de produtos e grandes exportadores. Nesse sentido profissional foi fantástico ter estudado naquele país. Não sei se poderia ter ido para um lugar melhor porque lá encontramos o básico, o médio e o grande que nos deram uma visão melhor do mundo”.
Apesar de nova em idade, Nancy tem um curriculum e experiência profissional de encher algumas páginas. Por exemplo, já lidou directamente com a extensão rural, numa iniciativa pessoal e trabalhou no Conselho Regional de Engenharia (que é o órgão fiscalizador da actividade profissional no domínio agrário do Brasil), entre outros contratos de curta duração
Para poder falar com autoridade sobre o campo agrícola, Nancy menciona que esteve ligada à Universidade Federal de Viçosa, também no Brasil que, num certo momento estava a desenvolver programas de estudo sobre o mercado da fruta e de bio-combustíveis.
Eram as duas coisas nas quais eu via futuro para o nosso país porque somos produtores de cana-de-açúcar e, por isso, com imenso potencial para a produção de etanol. E é bom que se saiba que o Brasil é um dos maiores produtores de etanol. Logo, uma verdadeira escola para nós”, disse.
Conforme referiu, a ligação a este projecto de estudo visava procurar técnicas para a produção de etanol a baixo custo e com maior rentabilidade. Por outro lado, pretendia descortinar que impacto essa produção poderia ter no mercado nacional, especificamente no mercado de alimentos. Mesmo sem ter terminado a graduação de licenciatura, submeteu e foi aprovada para fazer o mestrado em bio-etanol.
Nesta epopeia académica, Nancy produziu uma tese sobre as vantagens e desvantagens da produção de bio-etanol a parTir de material vegetal, ou seja, de segunda geração que, segundo revelou, também está a ser objecto de estudo nos Estados Unidos da América onde a matéria-prima é o capim-elefante.
O capim-elefante é um vegetal com menores qualidades comparando com a cana-de-açúcar que produz uma grande quantidade de resíduos que pode se transformar num problema ambiental se não tiver um destino adequado. Daí a minha opção pelo bio-etanol de segunda geração a partir cana. Com o potencial que temos, podemos deixar de ser dependentes de petróleo importado”, sublinhou. 
Para consolidar os conhecimentos nesta matéria, candidatou-se ao doutorado para estudar a fisiologia vegetal nos domínios do mercado e da produção de fruta e hortaliças. Neste entretanto, dedica um ano de trabalho de campo em lides com pequenos agricultores das cercanias da cidade de Quelimane, na Zambézia, local onde se deu conta dos erros que se cometem na nossa agricultura.
“É POSSÍVEL PRODUZIR O ANO INTEIRO”
Fizemos testes para produzir hortaliças e ficou claro que aqui, em Moçambique, ainda temos a oportunidade de investir pouco para ter algo rentável. No Brasil é mais difícil. Juntei alguns produtores e comecei sugerir pequenas alterações na forma como eles trabalhavam”, disse.
Entre as mudanças feitas, destaque vai para o espaçamento, condução da cultura, adubação e irrigação que podem oferecer melhor condições para se produzir durante todo o ano. “Temos todas as condições, pelo menos na maior parte do país, de produzir ano inteiro, só que a gente não produz, e nos tornamos dependentes de importação, especificamente da África do Sul”, enfatizou.

Entre as condições materiais para a produção, Nancy aponta a temperatura, o clima, a água e o tipo de solo que, segundo afirma, é relativamente jovem e, por isso, não requer tanto trabalho quanto os solos brasileiros, por exemplo.
Tomamos como exemplo o facto de a maior parte dos produtores continuarem a depender da chuva para irrigar e Nancy afirmou que há água doce disponível em muitos locais e mesmo assim se espera pela chuva, o que é um autêntico contrassenso.
Da experiência colhida em Quelimane, resultou na criação de uma associação de camponeses, na reigão de Cualane, que começaram a produzir hortaliças, tomate, cenoura, pimento e abóbora, culturas às quais se acresceu a produção local de couve e alface que, até então, era feita num curto espaço de tempo ao longo do ano.
Para irrigarmos, sem ter que dependermos da chuva, fizemos pequenos poços e, a menos de um metro encontramos água doce. Note que eles não produziam porque, supostamente não tinham água. Também aproveitei o momento para lhes mostrar que podem obter melhores resultados se deixarem e produzir o tomate de forma rasteira. A produtividade cai muito”, disse.
Aliás, aponta que no quadro daquele trabalho de campo, foi possível produzir melancia que não é cultura comum na Zambézia e no país em geral. “Nós produzimos e comercializamos”.
Entretanto, esta experiência, que já estava a surtir bons resultados foi travada pela divulgação dos resultados da avaliação para o doutorado e ficou literalmente em “banho-maria”. “Até já tinha aberto uma pequena empresa de selecção, classificação e comercialização de frutas e hortaliças, mas tive que abrir mão e regressar ao Brasil para terminar a formação”.
Muito recentemente, Nancy desenvolveu um projecto individual de assistência a um pequeno grupo de camponeses da Moamba, Boane e Ka Tembe e observou que estes têm a tendência de produzir muito próximo do rio e com um sistema de rega que consiste em inundar as calhas (valetas feitas entre as culturas).
Segundo referiu, este método traz resultados contrários aos esperados, uma vez que desperdiça bastante água. Por outro lado, e devido às altas temperaturas, a água aquece e queima as raízes e folhas, o que dificulta o crescimento das plantas. Perante este quadro, a investigadora diz estar a avaliar outras opções, pois, o sistema de rega conhecido por gota-a-gota continua a revelar-se caro para os camponeses locais, mas tem a vantagem de não carecer de muita mão-de-obra.
Na minha opinião, temos de propor metodologias que o agricultor possa aplicar sem precisar da presença de um engenheiro. Basta um técnico para que ele possa desenvolver. Estávamos a ver algumas opções e vamos começar atestar”, disse.
REVESTIMENTO COMESTÍVEL
Entre outros pergaminhos, Nancy Taera abraçou também o estudo do processamento mínimo de palmito (miolos de palmeiras) e de hortaliças, ao mesmo tempo que trabalhou em revestimentos comestíveis que são tratamentos que se dão, por exemplo, à fruta sem a aplicação de substâncias químicas. “Por exemplo, as mangas que importamos são submetidas a esse processo. Após a colheita aplica-se um produto químico e nocivo aos humanos para impedir o ataque de doenças”.
Segundo a investigadora, a opção pelo revestimento comestível é uma alternativa para o tipo de agricultura que temos em Moçambique e pode ser aplicada nos produtos colhidos, assim como nos que são minimamente processados. “O problema é que o nosso mercado não paga pela qualidade, mas, sim, pela quantidade”.
Porque o objectivo é desenvolver algo que possa trazer algum benefício para Moçambique, Nancy disse que trabalhou no desenvolvi mento de uma metodologia que permite atestar a qualidade do caju sem necessariamente encaminhar o produto ao laboratório para as análises pós-colheita.
Observei que somos obrigados a mandar os nossos produtos para África do Sul para serem analisados antes da exportação e isso acaba por nos penalizar porque se os testes são feitos fora quem coloca o preço do produto não é Moçambique, é quem atesta a qualidade”, afirma.
Para facilitar a vida dos produtores nacionais, Nancy diz que começou a trabalhar num método novo, com infra-vermelhos, que está a ser usado por uma meia dúzia de países europeus que permite fazer análises rápidas, com eficiências pontuais e com resultados em poucos instantes, inclusive no campo. “Fiz um teste para o caju e funcionou. Agora vou fazer para o melão. A ideia é ir desenvolver e melhorar”.
A vantagem do uso deste tipo de método está ligada ao custo dos exames laboratoriais, que são elevados, e à gestão dos resíduos dos materiais químicos que, neste caso não existem, para além de que os dados analíticos só são introduzidos uma vez e os resultados são imediatos, extremamente precisos e permitem ter uma leitura do sabor, acidez, cor, açucares, entre outros de uma só vez. “O que fiz até aqui já me permite medir 11 parâmetros”.
Da pré-primária
ao doutorado sem chumbar
A história de vida de Nancy Taera Samamade tem muitas particularidades que poderiam ter dado para o torto, mas quis o destino que acontecesse justamente o inverso. Imagine-se uma filha única que nunca viu o rosto do pai e só viveu com a mãe.
Ao contrário de muitas mães solteiras que esbanjam mimos para filho único como forma de “compensar a ausência do pai, Nancy afirma que não teve tanto privilégio assim, porque a mãe sempre foi de rédea curta. “Ela sempre foi muito exigente e eu me encaixei porque sou perfeccionista desde pequena. Sempre fiz tudo direitinho”, afirma com ar de quem tem saudade do passado.
Na busca incessante pela perfeição, diz que tinha hora marcada para tudo, inclusive para comer e para aprender as tarefas domésticas. “Eu aprendi a escrever com cerca de três anos de idade. Conhecia o abecedário e sabia o básico de matemática. A mãe sempre me incentivou, talvez por ser filha única. Acho que foi por isso que desenvolvi o gosto pela escola”.
Nascida na cidade de Quelimane, na Zambézia, fez o ensino primário, até à sétima classe, nesta urbe e seguiu para a capital do país para prosseguir com os estudos e foi parar na Escola Secundária Francisco Manyanga. À mudança de cidade também se adicionou o choque de passar a viver com mais gente na mesma casa. Para complicar as suas contas, era a única menina na casa dos primos. “Mas, depois a vida começou a fluir e nos demos muito bem”.
Também recorda que parte dos seus professores primários e secundários se sentiam desafiados porque questionava muito e os professores não estavam habituados a alunos com esse perfil. “Eu sempre quis saber como as coisas funcionam”.
Os primeiros sinais de interesse pela agricultura começaram a brotar quando, ainda criança descia com a avó para a machamba da família. “Eu madrugava para acompanhar a minha avó. Hoje sou engenheira agrónoma”.
O que Nancy Taera celebra mesmo é o facto de nunca ter reprovado e se diz sortuda porque foi parar ao Brasil para fazer o ensino superior por mero acaso. Antes tinha seguido para a Escócia para representar Moçambique numa das Conferências da Commonwealth, na qualidade de segunda melhor aluna da disciplina de Inglês da Escola Secundária Francisco Manyanga.
Depois disso um dos meus tios me falou da existência de bolsas de estudo para o Brasil oferecidas pelo governo brasileiro, por via do Ministério da Agricultura. O resto se desencadeou a partir daí”, concluiu.
Texto de Jorge Rungo
jrungo@gmial.com Este endereço de email está protegido contra piratas. Necessita ativar o JavaScript para o visualizar.
Fotos de Inácio Pereira"
FONTE: JORNAL O DOMINGO DE MOÇAMBIQUE.

ZIMBABWE IMPORTA CEREAIS ATRAVÉS DO PORTO DE MAPUTO

A iniciativa do sector privado de importar dois milhões de toneladas de milho para consumo humano e animal até Junho do próximo ano mereceu a devida resposta das autoridades ferro-portuárias  moçambicanas garantindo um tempo de espera de dez dias e as tarifas mais baixas para os cereais destinada ao Zimbabwe.
Este desenvolvimento irá garantir uma melhor disponibilidade do produto no mercado e a estabilização dos preços, numa altura em que os homens de negócios se mostram satisfeitos depois de sucessivas reuniões com os Caminhos de Ferro do Zimbabwe(NRZ)  e de Moçambique(CFM).
Zimbabwe figura no topo da lista na África Austral em termos de utilização do Porto de Maputo para  importação do milho e do trigo numa iniciativa do sector privado para ajudar o governo a aliviar a fome causada pela seca.
"Tivemos uma reunião com as duas companhias ferroviárias para negociar e concluir o plano de logística para a movimentação de dois milhões de toneladas de milho a partir de agora ate Junho de 2017. Este é um dos maiores negócios de sempre do ponto de vista logístico"- disse Tafadzwa Musarara, presidente  da Associação da indústria de moagem.
Além dos operadores da indústria de moagem, a reunião juntou funcionários dos NRZ e dos CFM, e serviu para auscultar as partes interessadas das principais empresas de logística.
"Nós trouxemos todas as principais empresas de logística que precisamos a partir de agora até Junho de 2017. Estamos prontos como o sector privado para fornecer o produto tanto para o gado e para o consumo humano. Os recursos estão disponíveis "- disse Musarara.
Algumas das conclusões que saíram da reunião incluem uma garantia dada pelos moçambicanos para a introdução de tarifas mais baixas e um tempo de resposta de 10 dias, o que significa que o escoamento dos cereais será acelerado a partir dos portos de Moçambique.
"Foi-nos prometido que para a região sul do Zimbabwe o milho virá através do Porto de Maputo via Chicualacula ou Sango posto de fronteira. O mesmo vale para o Porto da Beira que vai canalizar milho às regiões leste e parte do norte do Zimbabwe"- frisou Tafadzwa Musarara .
Acrescentou que as tarifas serão mais baixas do que o normal para que o preço ao consumidor zimbabweano não seja muito elevado.
"Do ponto de vista comercial, podemos garantir aos consumidores que com base nas discussões havidas,  a farinha de milho e outros produtos relacionados estarão disponíveis no mercado apesar da seca "- disse Musarara.
A indústria de moagem está a preparar-se para processar pelo menos 120 mil toneladas de cereais por mês que vão entrar no Zimbabwe a partir de Moçambique.
Presidente Robert Mugabe
declara  estado de catástrofe
O Presidente Robert Mugabe declarou a campanha agrícola 2015/2016 um desastre nacional devido aos efeitos terríveis do fenomeno climático El Nino que provocou uma seca prolongada devido a baixa precipitação em quase toda a Africa Austral.
No seu comunicado aponta que a declaração visa mobilizar recursos para reduzir a escassez de alimentos.
Entre outros objectivos, a declaração também visa assegurar e fiscalizar o programa de fornecimento de suprimentos de emergência para pessoas e animais, bem como os programas de irrigação.
Pretende-se igualmente estimular o sector privado, os parceiros de desenvolvimento e as organizações  não-governamentais para assegurar uma resposta coordenada para minimizar o sofrimento causado ​​pela seca.
Como resultado do fenómeno El Nino, a morte do gado aumentou significativamente em muitas partes do Zimbabwe.
Até agora morreu um total de 16.681 animais, sendo a província de Masvingo a mais atingida com seis mil e 566 mortes.
A previsão sazonal para o Zimbabwe era de chuvas abaixo do normal em todo o país o que veio a confirmar-se durante a campanha agrícola 2015/2016 devido ao fenómeno El Nino.
Mais de 95 por cento do território zimbabweano recebeu menos de 75 por cento da precipitação levando ao fracasso total da campanha agrícola.
Avelino Mucavele,em Blintyre, Malawi"
FONTE: JORNAL DOMINGO DE MOÇAMBIQUE.