domingo, 3 de novembro de 2013

NUNCA, NUNCA DEIXE DE APARECER, "POR VEZES, NUNCA DESISTIR NÃO É SUFICIENTE.TALVEZ WOODY ALLEN TENHA RAZÃO E 80% DO SUCESSO NA VIDA SEJA MESMO SÓ APARECER", veja em www.dinheirovivo.pt

"Por vezes, "nunca desistir" não é suficiente. Talvez Woody Allen tenha razão e 80% do sucesso na vida seja mesmo só aparecer

Siga o conselho de Woody Allen: Nunca, nunca deixe de aparecer

Empreendedor, felicidade
O que conta é mostrar-se
D.R.
23/10/2013 | 10:02 | Dinheiro Vivo
Há três anos, estava eu a dar os retoques finais no meu livro “Dare, Dream, Do” (Atreva-se, Sonhe, Faça), uma amiga enviou-me um link para um concurso patrocinado pela Oprah. O prémio era um talk show próprio. Senti imediatamente aquele medo acompanhado de enjoo que é habitual quando sei que tenho de empreender alguma coisa.Quase ao mesmo tempo, comecei a explicar a mim mesma por que razão não valia a pena ir a esta audição: teria de faltar ao trabalho um dia, conduzir de Boston para Nova Jérsia, preencher uma extensa ficha de candidatura, levantar-me muito antes de amanhecer para ser uma das primeiras 500 pessoas da fila e sujeitar-me à humilhação de responder à chamada no parque de estacionamento de um supermercado.  Enquanto contava tudo isto à minha amiga Liz, ela observou gentilmente, “Parece-me irónico que estejas a escrever um livro que incita as pessoas a sonhar, mas tu não o faças.”
Leia também: O que o seu chefe quer, realmente, de si
Não precisei de mais nada. Não desistir tornou-se uma questão de orgulho, por isso fui. Como podem calcular, não ganhei o meu próprio talk show. Nem sequer passei da primeira fase. Depois de todo o trabalho que tive para conseguir a audição, de acordar tão cedo, de pensar no que ia dizer e de selecionar criteriosamente a minha indumentária mais digna de ver a Oprah, falhei. Enquanto proferia o meu discurso de elevador, o nervosismo deixou-me dependente dos apontamentos, não expressei emoções e a voz saiu-me monótona: não houve nada nos meus trinta segundos que inspirasse as pessoas a sonharem e a mudarem. A seguir, senti-me desmoralizada.  Desapontada. Vestira-me para a ocasião e aparecera (mais exatamente, às três da manhã) para realizar o meu sonho, mas uma pequena parte de mim sabotou-me. Obriguei-me a ir, mas não o fiz com toda a minha alma.  Não desisti, mas também não fui capaz de me mostrar inteiramente.
Sempre repeti o mantra “nunca, nunca, nunca desistir.” Estas palavras de Winston Churchill têm-me dado ânimo ao longo dos anos; são parte fundamental de um lema familiar e estão emolduradas e penduradas na parede por cima da porta de entrada da nossa casa.  Porém, pus-me a pensar se, simplesmente não desistir, seria suficiente. Claro que a persistência é essencial. Mas pergunto-me se a determinação e coragem destas palavras, “nunca desistir”, se transformaram num eufemismo para algo mais fatalista: “Não vou desistir, mas ainda estou à espera de ser escolhida pela lotaria da vida”.
No ano passado, por exemplo, fui abordada em relação a um emprego na gestão sénior de uma start-up em grande crescimento, mas acabaram por não me oferecer o emprego.  Existe provavelmente uma variedade de razões para as coisas não terem resultado, mas percebi desde então que não me ter “mostrado” foi um dos fatores.  Não houve nada no meu comportamento que indicasse que eu queria apaixonadamente aquele emprego. Tal como na audição com a Oprah, eu queria mesmo conseguir, e queria tanto, que o meu instinto foi escondê-lo.
Jules Pieri, recentemente nomeada uma das Mulheres Empreendedoras Mais Poderosas de 2013 pela Fortune Magazine, está agora a recolher as recompensas de se ter destacado. Pieri é co-fundadora e CEO do The Grommet, um site de venda a retalho dedicado a promover produtos inovadores e desconhecidos e as histórias por trás dos seus autores.  Em 2012, a Rakuten, gigante japonesa do e-commerce, investiu no The Grommet e, desde então, a empresa cresceu incrivelmente. Mas o seu caminho não esteve coberto de pétalas de rosa – durante anos, o site sobreviveu com um orçamento magro, entre uma infusão de dinheiro desesperadamente necessária e a seguinte, quando nenhuma empresa de capital de risco investia muito devido à recessão de 2008-9. Pieri fez muitos sacrifícios pessoais para manter o seu sonho vivo: não teve férias durante três anos, não pôde visitar com regularidade a mãe que vivia em Detroit e lutava contra um cancro e o seu filho precisou de ajuda financeira de emergência para se manter na universidade. Jules nunca desistiu, mas também se mostrou, dia após dia.
A leitura de algumas pesquisas convenceu-me de que talvez Woody Allen tivesse razão e 80% do sucesso seja mesmo só aparecer. De acordo com Keith Simonton, professor de Psicologia na UC Davis, as probabilidades de um cientista escrever um artigo pioneiro (definido pelo número de citações noutras obras) estão diretamente correlacionadas com o número de artigos académicos que o cientista escreveu, não com a sua inteligência.
Rob Wiltbank, professor de Gestão Estratégica na Willamette University, seguiu os retornos de investimento do Angel Oregon Fund e não encontrou diferença substancial entre os vencedores e os finalistas em várias competições, ao longo de um período de dez anos.
Todos sonhamos em vencer mas, afinal, o que conta é mostrar-se.
No entanto, nem sempre podemos controlar o resultado. Sarah Ban Breathnach diz: “Quando usamos expetativas para medir o sucesso de um sonho, atamos pedras em torno da alma.  Os sonhos podem exigir um salto de fé, mas põem a alma a voar.” Não existe arrependimento quando investimos a nossa totalidade e nos mostramos a nós próprios. Felizmente, temos imensas oportunidades.
Recentemente surgiu-me uma oportunidade para a qual estou bem qualificada e soube que cheguei à fase final, em grande parte porque levantei a mão e disse, “Eu quero isto”.
Sonhar está no centro da inovação.  Quer pretendamos inovar um setor ou a nossa condição pessoal, para darmos esse salto aterrorizador de uma curva de aprendizagem para outra, temos de sonhar.  A boa notícia é que o mecanismo causal para realizarmos os nossos sonhos é mostrarmo-nos sempre, sempre, sempre. Se nos mostrarmos, o nosso futuro mostrar-se-á também.
Whitney Johnson é co-fundadora da Rose Park Advisors, a empresa de investimento de Clayton Christensen, e a autora de Dare-Dream-Do: Remarkable Things Happen When You Dare to Dream. Johnson é também oradora e consultora.
Todos sonhamos em vencer mas, afinal, o que conta é mostrar-se. "
FONTE: www.dinheirovivo.pt

Sem comentários:

Publicar um comentário