terça-feira, 14 de fevereiro de 2017

JOÃO MACEDO PINTO SOUSA, MOÇAMBIQUE DE SUL A NORTE NUMA MOTO BMW, "MOTOCANDO" PELA EUROPA E PELO NORTE DE ÁFRICA

"Ecólo e Adventure Rider editorial Fazer milhares de quilómetros de mota, mesmo sendo uma BMW, não é fácil, vamos ouvir um cheirinho das estórias do meu sobrinho João Luís Macedo Pinto Sousa, contadas por ele. O resto irão ler quando publicar o livro das suas viagens por Mo- çambique e pelo Mundo. Ele vai contar: “Chamo-me João Luís Macedo Pinto Sousa, tenho 40 anos, sou ecólogo e solo adventure rider. Durante a minha estadia em Mo- çambique fui de Maputo ao Rovuma numa mota BMW F650 GS. Comecei a subir em Dezembro a caminho de Nacala onde iria passar o Natal com familiares. Temperaturas eram muito altas e havia muito calor, logo a mota aquecia muito. Estava toda equipada e com combustível extra preparada para qualquer situação da expedição (mudança de pneus, cordas, etc). Fiz paragem em Xai- -Xai, Tofo, Inhassoro, passei pelo parque natural da Gorongosa, passei o Rio Zambeze e parei em Caia também. Depois de Caia passei pela Ilha de Moçambique. O Natal foi em Nacala com familiares e a passagem do ano na praia das Chocas na Província de Nampula. Em Janeiro come- çaram as chuvas torrenciais próprias da época. No dia 12 de Janeiro comecei a descer em direcção ao Sul, e na zona de Mocuba os campos já se encontravam completamente alagados. Campos, casas e cultivos totalmente destru- ídos pela chuva. Passei por uma ponte alagada a 70 km de Mocuba. Quando chego a Mocuba, a ponte que liga à cidade (construída em 1944) estava a destruir-se completamente e o rio estava cheio e barrento. Relatos de muita gente morta, comunicações ficaram paralisadas, as ligações tanto para Norte como para Sul foram interrompidas e a ponte para Maganja também ruiu. Ficamos isolados. Junto da ponte estavam umas bombas de gasolina em constru- ção onde eu e outras pessoas em trânsito se abrigaram. Todos os dias íamos a ponte saber notícias de sobreviventes, se haveria barcos, etc. Passados uns dias as comunicações começaram a conseguir-se apesar de com dificuldades. Comunicamos com o Consulado de Portugal na Beira e outras pessoas amigas, comuniquei com o régulo da zona para sabermos o que poderí- amos fazer ou se o Governo iria mandar mantimentos, mantas e água de apoio a população. Os únicos helicópteros que apareceram eram os da TV. A RTP África contactou-me para eu relatar a situação. Alimentávamo-nos de ananás e batata doce, produtos da época. A água íamos buscar a um poço. Metíamos umas sementes vermelhas e pretas ou umas pastilhas para purificação. A humidade estava a 90%, muito calor, muitos bichos…. Apareceram-me tarântulas, mosquitos, insetos no geral…. Aconteceu um parto e como estavam lá também umas missionárias elas ajudaram no parto. Começou a registar-se casos de cólera e malária. Eu próprio apanhei malária. Passados 6 dias de isolamento liga o Director das Calamidades a dizer que estavam a construir uma ponte de madeira a 70 Km a norte de Mocuba. Quando cheguei lá estavam os populares com quem tínhamos que combinar a passagem na ponte. Tinha combinado 500,00 MT mas quando a mota ia a meio da ponte já pediam 1.000,00 MT, que era o dinheiro que me restava. Segui rumo a Nampula e dirigi-me de novo a Nacala para armazenar a mota e posteriormente ser expedida para Maputo e eu segui a Maputo via aérea. Quando cheguei a Maputo fui diagnosticado com malária e tive que fazer o tratamento. Esta viagem deu para eu conhecer o excelente país que é Moçambique e o seu povo, onde eu gostaria de voltar a trabalhar e viver. Depois do meu regresso à Europa, fiz outras expedições que inclui 33 países, desde o Porto até à costa do Adriático e Balcãs, Grécia, Ilhas Gregas, Sardenha, Córsega, Ibiza. Outra expedição até ao Norte da Escócia, incluindo o topo dos Alpes Suiços, topo dos Pirinéus e Península Ibérica. A última expedição a solo fiz do Porto-Dakar (Senegal) – Porto, atravessando o deserto do Sahara e a Cordilheira do Grande Atlas. Isto é só uma introdução, o resto vais ler quando publicar o meu livro.” Obrigada João pela tua linda estória"
FONTE: ESTÓRIAS DA ISAURA, MAGAZINE INDEPENDENTE, JORNAL DE MOÇAMBIQUE

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